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Nada a comemorar

Adeildo Nunes

adeildonunes@oi.com.br

 

Embora se reconheça os avanços sociais do projeto “pacto pela vida”, criado no início do primeiro mandato do governador Eduardo Campos, não merece comemoração, a meu ver, simplesmente divulgar dados estatísticos comprovando que em julho/13 foram assassinadas 232 pessoas, enquanto que em agosto/13, “somente” 214 foram mortas. Com efeito, pelo contrário, as autoridades de segurança pública deveriam lamentar que essas 214 pessoas tenham sido assassinadas, no mais das vezes de forma bárbara, mediante uso de armas de fogo, envolvidas com drogas e sem a oportunidade de esboçar defesa. Também não há nada a comemorar, quando estatísticas oficiais informam que de janeiro a agosto de 2013, em Pernambuco, 2.048 foram mortas. Durante todo o ano de 2012, na Dinamarca, apenas 3 homicídios foram praticados, e todos os envolvidos estão preso, cumprindo pena, aliás, numa prisão que pode acomodar 500 detentos, mas só possui 128 pessoas detidas. Seria oportuno, também, que houvesse divulgação sobre o resultado dos inquéritos instaurados para apurar as mortes, esclarecendo, também, quantos deles foram transformados em processo e, finalmente, quantos criminosos foram condenados. O IBGE possui estatísticas que informam que de 100 homicídios consumados do Brasil, apenas 8 deles são efetivamente apurados em investigação criminal. A sensação de redução dos homicídios não retira da população o medo comum de andar pelas ruas, frequentar restaurantes e festas, pois enquanto os bandidos estão armados, a população ordeira não usa armas. Diferentemente do Brasil, os países que conseguiram reduzir os seus índices de criminalidade investiram na prevenção ao crime, não só na repressão, como fazemos. Previne-se o crime com políticas sociais voltadas para os mais carentes, pois são analfabetos, viciados em drogas, sem profissão, desempregados e sem família, os que mais se envolvem com a criminalidade. Basta colher o perfil social dos 600 mil presos brasileiros para concluir este terrível quadro carcerário. Insistimos em resolver problemas sociais com a prisão dos pobres. Aqui, lamentavelmente, pretende-se mandar para a cadeia menores infratores com até 16 anos de idade e, com abuso de poder, amedronta-se a população com o uso da força e da perda da liberdade, sem que o crime fique comprovado, como é o caso das máscaras que alguns manifestantes sociais acharam por bem usar, nos grandes eventos populares.

 

Adeildo Nunes é membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PE.