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PRISÃO DOS MENSALEIROS

Essa espécie de humanização ocorre depois de severas críticas destes mesmos familiares feitas ontem, quando um périplo de conhecidos, principalmente políticos, passaram no presídio para visitar os condenados no escândalo, o que oficialmente só é feito às quartas ou quintas.

“Tem que pegar fila como todos pegamos. Tem que passar pelas mesmas coisas que a gente passa”, reclamou ao jornal O Globo uma mulher apenas identificada como Patrícia.

Os parlamentares que passaram pelo local têm a prerrogativa de entrar em presídios sem depender de formalidades. E muitas vezes levam companhia, como fez ontem o senador Eduardo Suplicy com a mulher e os filhos de José Genoino, que conseguiram então visitar o petista fora do dia estipulado pela direção prisional.

De qualquer maneira, nesta quarta-feira, os familiares de presos não famosos gostaram do fato da distribuição das senhas ter começado uma hora antes do normal e em clima de tranquilidade.

Dificuldades
A situação para quem vai fazer visitas no Complexo de Brasília não é fácil. Como são distribuídas senhas e os encontros duram das 9h às 15h, fica mais tempo com o familiar quem chegar mais cedo.

Ontem, por exemplo, um dia antes da visita, já havia barracas e uma fila de pessoas - mulheres, em sua maioria - esperando por hoje.

Lotados
Os estados que não aguentam mais nenhum preso
Só em São Paulo, existem 180 mil presidiários amontoados onde deveriam caber 100. No Maranhão, estão presos quase três vezes mais pessoas do que o estado aguenta

Presos
Antonio Milena

São Paulo – Não se engane: fosse uma questão de vaga, mais ninguém seria preso no Brasil. Simplesmente porque em nenhuma unidade da federação há vagas sobrando nas penitenciárias e cadeias. Pelo contrário: pelo menos 208 mil presos - de um universo total de 514 mil - ocupam espaços que nenhuma autoridade parou para criar no Brasil.

O problema é que enquanto alguns estados, como o Espírito Santo, estão em situação relativamente tranquila, com quase um preso por vaga, outros, como o Maranhão, têm penitenciárias e delegacias dando conta de quase o triplo de pessoas.

Em números absolutos, o caso mais impressionante é de São Paulo, que concentra um terço de todos os presidiários brasileiros: lá, a cota é excedida em 80 mil presos, já que são 100 mil vagas para 180 mil.

Especialistas consideram que presídios lotados aumentam a chance de rebeliões e elevam a tensão entre os presos, contribuindo para a insegurança de todos os envolvidos em uma penitenciária.

Clique nas fotos para descobrir quais unidades da federação mantém um sistema prisional em ebulição a partir da relação presos por vaga. Os dados, os últimos disponíveis (dezembro de 2011), são do Ministério da Justiça."