Artigos
Compartilhar
O sonho acabou

 

 

 

ARTIGO PUBLICADO EM 09.11.2013, NO JORNAL DO COMMERCIO DE RECIFE

 

O sonho acabou

 

Adeildo Nunes

adeildonunes@oi.com.br

 

A ascensão de Borack Obama na presidência dos Estados Unidos da América – o País mais poderoso do planeta – trouxe grandes esperanças para a humanidade, máxime considerando a sua disposição em fortalecer o modelo democrático adotado desde a declaração da independência de 1787, até porque tornou-se imprescindível apagar da história americana as graves e errôneas decisões políticas externas adotadas pelo seu antecessor, o republicano George W. Bush, que por pouco não conseguiu desenvolver uma Terceira Guerra Mundial. Primeiro negro a chegar ao mais cobiçado cargo público do mundo, Obama prometeu em sua vitoriosa campanha eleitoral e em seu discurso de posse, fechar o presídio de Guantánamo, instalado em Cuba e o Tribunal Militar criado para julgar pessoas envolvidas com o terrorismo, respectivamente, além de realçar a promessa de retirar todas as tropas americanas no Iraque, fomentando uma relação de parceria e de amizade com todos os países democráticos do mundo. Passados quase seis anos da sua posse, o presídio de Guantánamo além de manter vários prisioneiros sem qualquer acusação formal, continua recebendo acusados pela prática do terrorismo, com a utilização das mais degradantes e desumanas formas de confissão: a tortura e os maus-tratos. Depois, o Tribunal Militar criado após o onze de setembro de 2001, com a competência exclusiva de julgar os crimes praticados contra a sua segurança interna, permanece em pleno funcionamento, em estrita violação aos pressupostos que definem o Estado Democrático de Direito, que no passado regozijava a autoestima dos americanos. Por mais que tenha tentado, Obama também não conseguiu uma reaproximação com o oriente médio, nem tampouco retirou as suas tropas do Iraque. Ao contrário, os EUA continuam desenvolvendo políticas de intervenção militar no mundo oriental, como tem feito ultimamente na Síria e no Egito. Porém, a marca maior dessa intervenção indevida restou definitivamente escancarada com a descoberta das espionagens realizadas pelos seus órgãos de segurança, ora atingindo pessoas da classe empresarial em todos os recantos do mundo, ora bisbilhotando a vida pessoal e pública de dirigentes de países de vários continentes. Alvo de escutas ilegais por parte da Agência Nacional de Segurança (NSA), o serviço de inteligência norte-americano, a presidente Dilma Rousseff denunciou publicamente o trágico episódio na ONU, comprovando que o sonho Obama acabou.

 

Adeildo Nunes é presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Jurídicas-IBCJUS.