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O efeito Lula

Por Terezinha Nunes

Maior eleitor do Recife, como mostram todas as pesquisas – bate o governador Eduardo Campos na influência sobre o voto – o ex-presidente Lula virou ponto central da disputa deste ano na capital.

De um lado, o PT de Humberto e João Paulo espalhando aos quatro ventos que o ex-presidente vai elevar o candidato do PT aos maiores patamares com suas aparições no guia que começou esta semana. De outro, os partidários do governador pontuando, através de offs nos jornais locais, que Lula ainda é amigo de Eduardo e não vai se deixar pautar por “intrigas petistas” para se afastar do antigo apadrinhado.

Moral da história: um tenta se salvar no andor lulista e o outro morre de medo de ser atropelado pelo mesmo andor.

Fora do calor e do debate entre os palanques do PT e do PSB uma análise mais acurada demonstra que as apostas e os temores acima enumerados podem estar pecando pelo exagero, de um lado e do outro.

Apesar de 54% dos eleitores afirmarem que o apoio de Lula aumenta o interesse em votar em um candidato, isso não significa que todos esses que assim se pronunciam assinam embaixo do que Lula falar ou disser. Há controvérsias.

Também é forçoso considerar que 39% dos eleitores dizem que Lula não tem influência sobre eles – um  número também significativo e que deve ser juntado aos 3% que afirmam que o apoio de Lula é negativo e aos 4% que não quiseram responder à pergunta feita pelo instituto Data Associados, o que publicou a mais recente pesquisa na capital.

Aliás, sobre a influência de Lula em uma eleição como apoiador, todos costumam citar que ele conseguiu eleger Dilma presidente – uma quase desconhecida pelos menos em disputas eleitorais – só com suas aparições no rádio e na televisão.

Ora, quando Lula foi ao palanque eletrônico pedir votos para sua  escolhida, ela já estava com 47% das intenções de voto nas pesquisas internas e externas.

Transferindo esta projeção para o Recife hoje, Humberto, que está agarrado ao ex-presidente com unhas e dentes, estreou no guia eleitoral exibindo em torno de 30% das intenções de voto. Panorama bem diferente.

Outra coisa a considerar é que Lula aparecendo na TV, como aconteceu até agora, apenas dizendo que Humberto é um bom quadro e precisa ser eleito prefeito não tem grande efeito se, de outro lado, Eduardo, que tem influência sobre 41% dos eleitores, diz, também na TV, que Geraldo Júlio é melhor.

Para Lula ter real influência, ou pelo menos nos termos pretendidos por Humberto, ele teria que usar a TV, como sempre fez no Recife, atacando os adversários e não apenas pedindo voto. Aí sim, estabeleceria um contencioso capaz de elevar o debate às alturas e gerar um efeito salve-se quem puder. Não sendo assim, a influência reduz em muito o seu tamanho.      

Isso sem considerar que, os mesmos eleitores que dizem que podem seguir Lula afirmam – em proporção menor mas também significativa  – que podem seguir Eduardo. Nos dois casos eles ainda não sabem que os dois se encontram em palanques diferentes e vão precisar tirar a teima até o dia 7 de outubro.

Desta forma, assim como os efeitos Lula e Eduardo podem nem se revelar tão grandes como parecem hoje – têm influência direta sobre apenas metade do eleitorado -   da mesma forma, a briga estabelecida  entre eles, pode levar muita gente a se aborrecer e apostar na oposição. Afinal, o  jogo agora é que começou a ser jogado.          

CURTAS

Sem dinheiro – Fora a campanha do candidato do PSB a prefeito do Recife, Geraldo Júlio, acusada de “milionária” pelo também candidato Esteves Jacinto (PRB) em debate esta semana e a do PT, de Humberto, também com muitos recursos,há um liseu geral na praça. O que dizem os candidatos da capital ao sertão é que os apoiadores financeiros sumiram este ano. Quem apostava gastar um certo valor já reduziu as projeções para a metade e afirma que vai cortar mais. Será o efeito mensalão?

Petrolina e Jaboatão em foco – Os prefeitos de Jaboatão, Elias Gomes, e de Petrolina, Júlio Lóssio, deram exemplo há poucos dias, quando saiu o resultado do IDEB – o índice de Educação Básica - que mede o nível de ensino nas escolas públicas. Os dois municípios aparecem à frente do Recife, Olinda, Caruaru e outros menos cotados, na avaliação do Ministério da Educação. As escolas municipais também foram melhor avaliadas que as mantidas pelo Estado.

Deu a louca  - As pesquisas eleitorais este ano estão revelando um fenômeno difícil de explicar: as intenções de voto espontâneas, normalmente bem inferiores às do voto estimulado, estão quase coincidindo há mais de um mês da eleição. Outra coisa que intrigou esta semana: o candidato a prefeito José Queiroz (PDT), de Caruaru, apareceu em pesquisa como o mais rejeitado e, mesmo assim, liderando a disputa. Ininteligível.